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Dia da Caatinga é lembrado por Comissão de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal

 Um dos principais biomas do Nordeste e de Alagoas, a Caatinga, tem seu dia comemorado nesta terça-feira, 28. Com o objetivo de construir valores sociais, e ressaltar a importância desse ecossistema tão complexo, a Comissão de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal da OAB/AL aproveita a passagem da data para fortalecer a consciência ambiental. “A Comissão de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal da OAB/AL, no cumprimento de seu papel institucional, entende como fundamental a construção de valores sociais, através de processos educacionais, que conduzam ao fortalecimento de uma consciência crítica voltada à proteção e preservação do meio ambiente”, disse a presidente da Comissão, Cristiane Leite. Com o intuito de colaborar para o desenvolvimento de uma sociedade mais conhecedora, participativa e transformadora, a Comissão divulga o artigo produzido pelo biólogo Carlos Eduardo de Mariano Godoy em comemoração ao dia 28 de abril, Dia da Caatinga.
CAATINGA*
O termo “caatinga” é de origem Tupi e significa “mata branca”, referindo-se ao aspecto da vegetação durante a estação seca, quando a maioria das árvores perde as folhas e os troncos esbranquiçados e brilhantes dominam a paisagem. Essas características são particularmente comuns em espécies dos gêneros Tabebuia (Bignoniaceae), Cavanillesia(Bombacaceae), Schinopsis e Myracrodruon (Anacardiaceae) e Aspidosperma (Apocynaceae), os quais eram dominantes nos tempos pré-colombianos. Essas florestas de porte mais robusto foram largamente destruídas para a construção de casas, cercas e fazendas de gado logo após a colonização européia, já no início do século XVI. Nos tempos atuais, a caatinga arbórea é rara, esparsa e fragmentada, onde a paisagem é dominada por uma vegetação arbustiva, ramificada e espinhosa, com muitas euforbiáceas, bromeliáceas e cactáceas. A caatinga ocupa uma área de cerca de 844.453 Km², o equivalente a 11% do território nacional, englobando partes dos estados Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e o norte de Minas Gerais, no vale do Jequitinhonha. A vegetação de caatinga não forma um conjunto estrutural e florístico homogêneo, sendo um mosaico de arbustos espinhosos e florestas sazonalmente secas. A Caatinga apresenta três estratos: arbóreo (8 a 12 metros), arbustivo (2 a 5 metros) e o herbáceo (abaixo de 2 metros). Geomorfologicamente, ela está localizada nas depressões interplanálticas (300 – 500m), com uma precipitação média anual que varia entre 240 e 1.500mm, porém metade da região recebe menos de 750mm e em algumas áreas centrais menos de 500mm. A maioria das chuvas na Caatinga concentra-se em três meses consecutivos, onde o número de meses secos aumenta da periferia para o centro da região, e algumas localidades experimentam períodos de 7 a 11 meses de baixa disponibilidade de água para as plantas. Além disso, o sistema de chuvas é extremamente irregular de ano para ano, o que resulta em secas severas periódicas. Rico em biodiversidade, o bioma abriga 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 de peixes e 221 abelhas. Cerca de 27 milhões de pessoas vivem na região, a maioria carente e dependente dos recursos do bioma para sobreviver. Apesar da sua importância, o bioma tem sido desmatado de forma acelerada, principalmente nos últimos anos, devido principalmente ao consumo de lenha nativa, explorada de forma ilegal e insustentável, para fins domésticos e em alguns industriais, ao sobrepastoreio e a conversão de áreas para pastagens e agricultura. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o desmatamento já atingiu cerca de 46% da área do bioma. Em relação às Unidades de Conservação (UC´s) federais, em 2009 foi criado o Monumento Natural do Rio São Francisco, com 27 mil hectares, que engloba os estados de Alagoas, Bahia e Sergipe e, em 2010, o Parque Nacional das Confusões, no Piauí foi ampliado em 300 mil hectares, passando a ter 823.435,7 hectares. Em 2012 foi criado o Parque Nacional da Furna Feia, nos Municípios de Baraúna e Mossoró, no estado do Rio Grande do Norte, com 8.494 ha. Com estas novas unidades, a área protegida por unidades de conservação no bioma aumentou para cerca de 7,5%. Ainda assim, o bioma continuará como um dos menos protegidos do país, já que pouco mais de 1% destas unidades são de Proteção Integral. Ademais, grande parte das unidades de conservação do bioma, especialmente as Áreas de Proteção Ambiental – APAs, têm baixo nível de implementação. No Estado de Alagoas, além do Monumento Natural do Rio São Francisco, que é uma UC federal, existem 4 Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPN’s, que somam 93,49 ha, além do Refúgio de Vida Silvestre dos Morros do Craunã e do Padre (1.086,57 ha) e do Parque Municipal da Pedra do Sino (217 ha), totalizando 14.397,06 ha do Bioma Caatinga inseridos em UC’s no Estado de Alagoas. Além disso, existem outras áreas em estudo para criação de novas UC’s na caatinga, como a Serra da Caiçara com uma área aproximada de 80.000 ha, englobando partes dos Municípios de Poço das Trincheiras, Ouro Branco e Maravilha; a Serra da Taborda com uma área de aproximadamente 1.900 ha em São José da Tapera; a Serra da Mão em Traipú, cuja área pode chegar a 3.000 ha e uma área em Piranhas com 1.757,33 ha às margens do Rio São Francisco. Estes esforços visam a, de certa forma, compensar as décadas nas quais o Bioma Caatinga não obteve a devida atenção em relação às ações antropogênicas, que causaram consideráveis impactos ambientais nesse bioma, e que apesar dos estudos recentes, ainda não possui sua biodiversidade devidamente estudada. *Carlos Eduardo Mariano de Godoy Biólogo. Gerente de Aquicultura do IMA/AL
Fonte: Ascom Oab/AL
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