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Mulheres advogadas de todo o Brasil debatem inovações e gestão na advocacia

Belo Horizonte (MG) ? Nesta terça-feira (29), um dos painéis da II Conferência Nacional da Mulher Advogada levantou o debate sobre as formas de inovações e as ferramentas de gestão aplicáveis à advocacia.A conselheira federal (SC) e presidente da Comissão Especial de Direito Médico e da Saúde da OAB Nacional, Sandra Krieger, presidiu a mesa. ?No meu curso éramos apenas três mulheres. Militei por muitos anos nos quais mulheres não entravam de calça comprida no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, somente de saia. Por isso as adversidades da vida devem, de fato, ser trocadas aqui para que todos sigamos em frente?, apontou.A primeira palestrante do painel foi a advogada Lara Selem, consultora especializada na Gestão de Serviços Jurídicos para a Advocacia. ?É importante analisar que a gestão compreende três tipos de visão do dia a dia: estratégica, tática e operacional. Somos induzidos a operacionalidade, sempre envolvendo tarefas. Mas como gestor, eu preciso de uma visão macro, que contenha bases comparáveis e até passe pelas três visões, mas foque na estratégica?, iniciou.?A grande motivação dos últimos anos foi que os advogados passaram a enxergar seus escritórios ainda mais como uma organização, de um modo sistêmico. Era maioria uma cultura de que o escritório era um local, apenas?, explicou.Apresentou a ferramenta Legal Canvas, uma ferramenta estratégica de planejamento adaptada à realidade de gestão dos escritórios de advocacia, que muitos profissionais já utilizam em outras áreas como comunicação, engenharia, arquitetura, psicologia, entre outros. ?Personalizar e customizar a advocacia é a ideia, com condições de ver o escritório como um todo?, resume Lara.Dierle Nunes, professor adjunto da PUC-MG e da UFMG e doutor em direito processual, foi o segundo palestrante do painel. ?A mulher em especial no Brasil padece. Sua luta e seu trabalho não são suficientes para alcançar a igualdade como o homem, essa é a verdade. O que vemos muitas vezes é o esfacelamento da imagem da mulher na mídia mesmo quando ela é vítima?, lamentou.O professor destacou aspectos polêmicos do sistema recursal trazido pelo Novo Código de Processo Civil (CPC), promulgado em 2015, tratando-os como inovações que a advocacia tem que acompanhar de perto independentemente da área em que os profissionais militem. Ele é autor da obra ?Comentários ao CPC 2015?, junto aos juristas Lênio Streck, Leonardo Carneiro da Cunha e Alexandre Freire.HomenagemAntes do início do painel, foi homenageada a advogada Annette Cardoso Rocha, pelo seu aniversário de 95 anos. Annette é ganhadora do Prêmio Innovare na categoria Advocacia. Formou-se aos 69 anos de idade pela PUC-MG, militou no direito de família junto a pastorais de Belo Horizonte e criou um centro de defesa para pessoas em condição de vulnerabilidade.?Não sou boa de palavras no microfone. Sou boa com as palavras no atendimento aos clientes. As mulheres advogadas já estão ocupando lugar de destaque e deixo aqui a colaboração das colegas do centro de defesa para todas vocês?, disse.Ibaneis Rocha, secretário-geral adjunto, e Antonio Oneildo, diretor-tesoureiro nacional da OAB, entregaram a Annette uma placa em nome do Conselho Federal e da seccional mineira ?por dignificar a profissão de mulher advogada com ética, respeito e cuidado com o ser humano em busca da justiça social?.